segunda-feira, 6 de julho de 2015

Lembranças de uma greve.

A postagem tem por objetivo lembrar um episódio importante dos/as oprimidos/as no mundo do trabalho nas cidades brasileiras, a greve geral de 1917. No intuito de lembrar, publico um trecho de Edgar Leueroth sobre o terrível episódio da repressão policial contra a luta da classe trabalhadora e um recorte do texto de Nicolina Luiza de Petta. 

Um relato da repressão por Edgard Leueroth, anarquista e editor do Jornal Operário A Plebe.


Edgar no dia da sua prisão na greve geral.

"O enterro dessa vitima da reação foi uma das mais impressionantes demonstrações populares até então verificadas em São Paulo. Partindo o féretro da Rua Caetano Pinto, no Brás, estendeu-se o cortejo, como um oceano humano, por toda a avenida Rangel Pestana até a então Ladeira do Carmo em caminho da Cidade, sob um silencio impressionante, que assumiu o aspecto de uma advertência. Foram percorridas as principais ruas do centro. Debalde a Policia cercava os encontros de ruas. A multidão ia rompendo todos os cordões, prosseguindo sua impetuosa marca até o cemitério. À beira da sepultura revezaram os oradores, em indignadas manifestações de repulsa à reação (…) No regresso do cemitério, uma parte da multidão reuniu-se em comício na Praça da Sé; a outra parte desceu para o Brás, até à rua Caetano Pinto, onde, em frente à casa da família do operário assassinado, foi realizado outro comício.


12 de julho de 1917 – Greve Geral no país por Nicolina Luiza de Petta. (recortes do texto original*).


No dia 12 de julho de 1917, a cidade de São Paulo parou: uma greve geral de cem mil trabalhadores paralisou o trabalho nas fábricas e transportes. Essa foi a greve de maior impacto do movimento operário no país nos primeiros anos da República. No Brasil, greve também era denominada parede, e o movimento grevista denominado paredista. O termo greve como sinônimo de paralisação do trabalho nasceu na França em referencia a Praça Grève, localizada em Paris, onde os operários desempregados reuniam-se na expectativa de serem chamados para trabalhar.

No início do século XX, crescia no Brasil a organização a mobilização dos trabalhadores com o objetivo de conquistar melhorias de vida e trabalho. Em 1903 foi criada a federação das associações de classe (posteriormente Federação Operária do rio de janeiro); em 1905, organizou-se a Federação Operária de São Paulo. Associações semelhantes foram criadas em outros estados brasileiros. Em 1906 foi realizado o 1º Congresso Operário Brasileiro. As greves tornaram-se constantes e, em alguns momentos, amplas e numerosas. Os anos de 1906, 1907, 1912 e 1913 foram de muita ação, assim como o ano de 1919. Os acontecimentos de 1917, porém, marcaram de forma mais profunda a história da luta de classes no Brasil. Esse ano foi de agitação operária, com a eclosão de greves em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. No entanto, o movimento mais intenso nas cidades do Rio de Janeiro, então capital federal, e de São Paulo.

Um conjunto de fatores explica o clima de agitação social em 1917. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) levou à diminuição das importações e ao aumento da demanda por produtos nacionais; em 1916, as fábricas brasileiras ampliaram a produção e o número de empregos aumentou. Mas a guerra foi responsável também por um grande aumento no preço dos alimentos. Com os salários estagnados há anos, os trabalhadores não conseguiam suportar a elevação crescente do custo de vida.

Ao longo do primeiro semestre de 1917 ocorreram greves de diversas categorias, a maior parte no Rio de Janeiro. As principais reivindicações dos operários eram: aumento salarial, redução da jornada diária para oito horas, fim do trabalho noturno para mulheres e crianças, liberdade de associação e de manifestação, redução no preço dos aluguéis, melhoria dos transportes públicos.

No mês de Junho, o movimento grevista ganhou força na cidade de São Paulo com a paralisação dos operários do Cotonifício Crespi, aos quais irão se juntar, no início de julho, trabalhadores de outras fábricas têxteis e também de outros setores.


Fonte da imagem aqui.

No dia 9 de julho, segunda-feira, após um confronto com a polícia em frente à fábrica Antarctica Paulista, os operários em greve seguiram para o bairro do Brás para fazer piquete (impedir a entrada de trabalhadores que não aderiram à greve) na porta da fábrica de tecidos Mariângela. No local, cinquenta policiais a cavalo e trinta armados de fuzis tentaram dispersar a multidão; três operários ficaram feridos.

O governo determinou o fechamento da Liga Operária da Mooca, uma atuante organização operária de orientação anarquista, e da Escola Moderna, instituição de ensino libertária, onde estudavam filhos de operários. A alegação foi a de que eram locais de fomento das rebeliões.


Fonte da imagem aqui

Essas ações, vistas como arbitrariedades pelos trabalhadores aumentaram a tensão social. Como resposta, na noite do dia 9, os grevistas criaram o Comitê de Defesa Proletária (CDP), coordenado por Edgar Leuenroth, fundador do  jornal anarquista A Plebe. A orientação política predominante entre os operários em 1917 era o anarquismo. As tarefas do CDP eram difundir as reinvindicações de interesse dos grevistas.

No dia 10, o sapateiro espanhol José Iñeguez Martinez, 21 anos, baleado no confronto do dia anterior, morreu em decorrência do ferimento. O CDP decidiu fazer do enterro do trabalhador um grande movimento contra a ação violenta da polícia. Por intermédio da imprensa operária, o Comitê convocou a população a acompanhar o féretro.

José Iñeguez Martinez. Fonte da imagem aqui

Na manhã da quarta-feira, dia 11, cerca de dez mil pessoas, de acordo com o jornal operário Fanfulha, caminharam junto ao corpo do rapaz por várias ruas de São Paulo. A polícia, previamente informada do trajeto, colocou seu efetivo guardando as ruas, principalmente a Avenida Paulista, onde se localizavam os palacetes da elite paulistana. Após o enterro, o CDP conseguiu reunir cerca de três mil pessoas em um comício na Praça da Sé.

Foram registrados saques a estabelecimentos comerciais trabalhadores em greve apedrejaram fábricas e bondes e invadiram o Moinho Santista.  À tarde, empresários reunidos buscavam uma solução. Alguns, como Jorge Street, proprietário da Companhia Nacional de Tecidos de Juta, entendiam que era preciso ceder e atender parte das reivindicações; outros, como o dono do Cotonifício, Rodolfo Crespi, onde começou a greve, mostravam-se irredutíveis, acreditando que a repressão conseguiria desmobilizar os trabalhadores.

Protesto que acompanhou o corpo do operário José. Fonte da imagem aqui.

Não foi o que aconteceu. No dia 12 a cidade parou: a greve atingiu os trabalhadores da Companhia de Gás e da Light, a companhia de energia elétrica, o que paralisou os bonés, principal meio de transporte público, Tinha início a greve geral. Havia cerca de 100 mil trabalhadores em greve na cidade, em um população estimada em 550 mil habitantes.

Um grupo de jornalistas se ofereceu para intermediar as negociações entre os trabalhadores, representados pelo CDP, e os patrões. Durante três dias – 13, 14 e 15 de julho de 1917 – buscou-se uma solução conciliadora. Na segunda-feira, dia 16, com a garantia de que suas principais reivindicações seriam atendidas, os trabalhadores votaram pelo fim da greve. No dia 17, a cidade começou a voltar ao normal, mas a experiência na capital paulista incentivou paralisações no interior e no litoral do estado e em outras unidades da Federação. A greve geral de 1917 mostrou que já não era possível ignorar a presença do operariado no conjunto de forças sócias em luta no Brasil.

Oficialmente, três pessoas morreram durante o conflito: o sapateiro Martinez, um outro operário e uma menina vítima de bala perdida. Calcula-se, porém, que o número de mortos tenha ficado em torno de uma dezena. (...)



* Texto na íntegra no “Dicionário de datas da história do Brasil, Circe Bittencourt (Organizadora), Editora Contexto, São Paulo. 2007

sábado, 4 de julho de 2015

Cultura autogestionária

Nas últimas semanas, por meio da Livraria 36, participei de atividades ligadas ao teatro comunitário e social em Joinville. Nos dois eventos, conversamos sobre diferentes aspectos da relação do teatro com a cidade, do teatro com a esquerda e outros pontos. O pensamento dominante no povo do teatro é a esquerda como unitária e com base em leituras datadas no passado. Me parece que falta ampliar a leitura para outros pontos e aspectos da esquerda, como a de caráter anarquista. Por conta disso, publico um fragmento do livro “Bandeira Negra: rediscutindo o anarquismo”, de Felipe Corrêa. O trecho é um estímulo para debater sobre a cultura do ponto de vista anarquista. 


"4.3.2.4 Cultura autogestionária*

Juntamente com as propostas para a economia e a política, o anarquismo, historicamente, preocupou-se com a esfera ideológica/cultural.[i]  Sakae (apud Pelletier, 2004, p. 234) afirma, em 1919: “por mais operários que sejamos, a situação não se resume a comer bem. Temos reivindicações que vão mais longe.” Essa afirmação envolve uma condição, comum entre os anarquistas, de compreender o conjunto de necessidades humanas para além dos aspectos materiais. Se a religião, a educação e, mais recentemente, a mídia, vêm sendo responsáveis por legitimar a dominação, o anarquismo propõe uma cultura distinta, que legitime sua proposta de autogestão.


Espaço de criação e produção dos cartazes estudantis e operários na revolta no mês de maio, em 1968, em Paris.

Para os anarquistas, a autogestão econômica e política deve ser acompanhada de uma cultura autogestionária, forjada em bases ideológicas e em uma ética pautada em valores, capaz de sustentar seu projeto econômico e político – algo que Bakunin (1972, p. 249) chamou de uma “nova fé”, e o coreano Chaeho (2005, p. 375) de “cultura das massas”, a qual deveria “destruir pensamentos culturais servis”.

Rudolf de Jong (2008, p. 63), anarquista holandês, também trata do tema, em 1975, ao enfatizar que “no anarquismo, os valores humanos desempenham uma parte importante”. Essa ética anarquista é o elemento universal promovido transversalmente em todos os contextos, pautada, no caso de uma sociedade futura, com a autogestão funcionando plenamente, nos seguintes valores: liberdade individual e coletiva, no sentido de desenvolvimento pleno das faculdades, capacidades e pensamento crítico de cada um e de todos, fora da dominação; igualdade, em termos econômicos, políticos e sociais, promovida por meio da autogestão e incluindo questões de gênero e raça; solidariedade e apoio mútuo, sustentando relações fraternas e colaborativas entre as pessoas e não de individualismo e competição; estímulo permanente à felicidade, à motivação e à vontade.

Manifestação contra o aumento da tarifa do transporte coletivo em Joinville, em 2014. Fotografia do Renan B. 


Harrison (1947), nesse sentido, escreve: “devemos expandir as associações voluntárias de acordo com nossos interesses comuns para a inovação científica e a produção do belo e para ampliar nossas liberdades sociais”. A intervenção dos anarquistas de acordo com esses valores éticos deve fortalecer as associações, de maneira a promover a cultura autogestionária defendida pelos anarquistas.

Um dos aspectos muito desenvolvidos no anarquismo foi a educação, por meio da discussão sobre a pedagogia libertária. Reclus (2002, p. 108) explica, em 1897: “o ideal dos anarquistas não é suprimir a escola, ao contrário, fazê-la crescer, fazer da própria sociedade um imenso organismo de ensinamento mútuo, onde todos seriam simultaneamente alunos e professores”. Essa ampliação da educação, estendendo-a ao conjunto da sociedade, é fundamental para estimular os valores condizentes com a prática da autogestão.

Tal educação é, ao mesmo tempo, integral, pois busca fortalecer completamente o desenvolvimento individual: intelectualmente, por meio do conhecimento científico das distintas áreas da vida e do estímulo permanente à cultura; tecnicamente, preparando para o trabalho e capacitando para a realização de tarefas manuais e intelectuais; fisicamente, tendo por objetivo promover a saúde e bem-estar.

O anarquista espanhol Francisco Ferrer y Guardia enfatiza, em 1908, que o objetivo anarquista na educação é criar

homens capazes de evoluir incessantemente; capazes de destruir, de renovar constantemente os meios, renovar-se a si mesmos; homens cuja independência intelectual seja a força suprema, que nunca se sujeitem ao que quer que seja; dispostos a aceitar sempre o melhor, felizes pelo triunfo das novas idéias e que aspirem a viver vidas múltiplas em uma única vida. (Ferrer y Guardia, 2006, p. 67-68)

O conceito-chave da pedagogia libertária é a promoção da educação por meio da liberdade e para a liberdade, criando permanentemente uma humanidade completa, com corpo e mente plenamente satisfeitos.

Eduardo Bez, do Grupo Morro do Ouro, declama as suas poesias no Sarau 1º de maio, em Joinville, no ano de 2015.

Também faz parte dessa cultura autogestionária o investimento em lazer. Se, por um lado, o trabalho e as decisões estão no centro da sociedade autogestionária, o lazer possui, simultaneamente, lugar de destaque. No tempo livre, os anarquistas consideram fundamental a participação em atividades que envolvem esportes, artes, música, televisão, cinema, teatro, etc., tanto para o descanso, como para a própria instrução cultural. Os valores citados anteriormente constituem os fundamentos dessa produção popular e autogestionária do lazer. Evidentemente, os meios de comunicação defendidos pelos anarquistas são autogeridos, possuem ampla participação e, pautados nos valores anarquistas, promovem a diversidade e o pensamento crítico, informando, discutindo, divertindo. A ética promovida permanentemente por meio dos valores, a educação e o lazer constituem as bases da cultura autogestionária, essa “nova fé”, capaz de dar a sustentação subjetiva para a construção do projeto objetivo anarquista.




·        *  Fragmento de leitura do livro “Bandeira Negra: rediscutindo o anarquismo”, do Felipe Corrêa. É possível baixar o livro completo aqui ou comprar aqui. As referências citadas no fragmento estão nos links que mencionei nas linhas anteriores. Em caso de dúvidas, basta escrever para maikon.jean.duarte@gmail.com

[i] Silva (2005, p. 3), refletindo sobre o papel da cultura no anarquismo, afirmou: “Para se compreender o movimento anarquista [...] é preciso ter em mente que, apesar dos homens e mulheres que os configurava serem, em sua maioria, trabalhadores, não se pode resumir sua atuação ao âmbito sindical. A intensa e inovadora produção artística e literária sempre foram marcas dos anarquistas. [...] Nas relações interpessoais, na conduta moral, no trabalho, na educação, nos contatos afetivos, em todos os campos o anarquismo se manifesta. Ele se pratica nas ruas, no sindicato, no teatro, na fábrica e em casa. Assim, para além de um movimento, há uma cultura anarquista.”

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Dossiê Diga não a redução da maioridade penal.

O dossiê reúne diferentes publicações que abordam a redução da maioridade penal. O conteúdo selecionado tem objetivo fazer o combate ao projeto de lei que visa reduzir a maioridade penal. Afinal de contas, os principais atingidos com a redução serão a juventude mais pobre.

O médico Drauzio Varella comenta a redução da maioridade penal. Eu tenho discordâncias de diversos ponto de vistas do médico Varella. Porém, Varella tem uma vivência profissional como médico no sistema carcerário brasileiro. Por isso, é recomendável ouvir o ponto de vista.





O site 18 razões para a não redução da maioridade penal concentra várias informações, dados e notícias para inspirar o debate contra a redução. Clique aqui para conhecer o material.

O programa Saúde e Bem estar, da rádio UDESC FM, entrevistou Nasser Haidar Barbosa, o psicólogo e presidente do Conselho Carcerário de Joinville. Sugiro clicar aqui e ouvir o aúdio.

A Anistia Internacional está com uma campanha intensa contra a redução da maioridade penal. Uma petição online com a chamada “Queremos os nossos jovens vivos” é possível assinar clicando aqui.





A mídia, os governos e os políticos patronais exploram exaustivamente casos de violência cometidos por jovens, mas diversas pesquisas demonstram que, por exemplo nos homicídios, os menores de idade são responsáveis por apenas 0,5% do total. Por outro lado, nesta campanha pela “opinião pública”, omitem a verdadeira máquina assassina que há no Brasil, as polícias, que anualmente matam oficialmente milhares nos chamados “autos de resistências” e outros milhares quando à paisana e atuando em milícias e grupos de extermínio.” Leia o artigo completo aqui

"A redução da maioridade penal certamente terá fortes repercussões no número de presos e na disparidade com respeito à capacidade carcerária brasileira. O colapso do sistema prisional público é portanto previsível, se já não uma realidade iminente, uma vez que a redução demandará uma ampliação significativa do aparato estatal (mais policiais, mais escreventes judiciais e juízes, mais Varas Criminais, mais delegacias, fóruns e claro, presídios, que por sua vez demandarão a contratação de carcereiros, faxineiros, serviços de manutenção das unidades etc). Não sendo razoável supor que o Estado brasileiro, a pleno vapor no processo de enxugamento de gastos e medidas de austeridade, terá capacidade de tal ampliação, podemos perguntar: seria este o ensaio geral para a legitimação da privatização do setor, logo mais?" Leia o artigo completo aqui

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Adeus classe média

A dramaturgia "Adeus classe média" é uma brincadeira que realizei com estudantes de uma escola pública. Aproveitei a ida do professor e escritor Alberto Ferreira para uma atividade de literatura. Então, tentei adaptar sem nenhuma atividade com pretensão artística. A meninada leu, uns gostaram, a maioria achou chato. Eu deixei duas notas que pede para melhorar o texto, pois na leitura ficou truncada. 

ADEUS CLASSE MÉDIA[i]

João Pedro, Cristina e seu Guilherme

CENA 01

João Pedro está com o rosto grudado no rádio  para saber o resultado da loteria. No fundo da cena, Cristina realiza os serviços domésticos e mantém um olhar de reprovação para João Pedro. O elenco que não está na cena ficará sentado a direito da cena.

Cristina (olha pra plateia): Agora está com essa mania. É chegar do trabalho, que começa beber. Parece que tá com o demonho no corpo. (olha pro céu) Deus me livre.

João Pedro (concentrado no rádio): É hoje, muiê...

Cristina: ele dessa mania de beber, jogar....

João Pedro (cantarola a música do Engenheiros do Hawaii): “...ando só/como um pássaro voando/ando só/como se voasse em bando/ando só/pois só eu sei andar/sem saber até quando/ando só...”

Cristina: Vai canta, canta essas músicas do demonho. É melhor acordar. Já tem 20 anos que você chegou aqui. Não é mais sozinho. Você tem eu e tem Deus. Anda só, que nada.

João Pedro: Ganhamos, ganhamos... Meu Deus do céu. Ganhamos! Olha, Cristina, vem ver. Me ajuda a conferir que eu to tremendo. Meus Deus do céu. Ganhamos! Vai, escuta aqui, vai repetir, escuta se é isso mesmo!

Cristina: Ganhamos, ganhamos... Meu Deus do céu. Ganhamos!
O casal se abraça. João Pedro vai beijar Cristina.

Cristina: Não é pra tanto, ainda mais com esse bafo de cachaça

João Pedro: Nem à noite?

Cristina: Vou pensar...

João Pedro: (Cantarola) Hey mãe, eu vou comprar uma guitarra elétrica...

Cristina: Tú não tem mais (Olha para o céu, como se estive reproduzindo uma fala divina) idade pra isso. Louvado seja Jesus, agora vou poder descansar dessa vida ingrata.

João Pedro: (Fala com convicção) E eu, nunca mais trabalho na vida. Cristina, nunca mais! Eu vou é cantar uns rocks por aí.... sabe, eu vou é mandar aquele desgraçado...

Cristina: ...Que desgraçado?

João Pedro: o patrão! Eu vou mandar pra p....

Cristina: Homem, tenha um pouco de respeito.

João Pedro: Eu vou chegar no serviço e gritar (grita bem alto) Sai de mim seu demonho!!!

Cristina: (olha ao céu) Deus perdoa esse homem.

João Pedro: E os puxa saco (Pausa, vai o rosto expressa que formula uma ideia muito engenhosa e vingativa) deuzomelivre.

Cristina: Vamos morar numa casa com piscina João. Meu sonho! Quero ver essas vizinhas fofoqueiras de queixo caído, e eu vou convidar só uma vez, hein! Vou convidar elas para irem a nossa casa nova, dar um chazinho e uns quitutes iguais da casa da patroa e depois mando embora, para nunca mais voltarem. (O trecho precisa de mais fluidez na hora de ganhar a “embocadura”. O texto precisa melhorar)

João Pedro: E eu vou comprar um carro novinho, zerinho. Oficina mecânica? Nunca mais! Um carrão com um som de arrepiar, como dos guris que ficam na ponte...

Cristina: Mas tu não tem mais idade pra isso...

João Pedro: Vou até a casa da minha mãe, pegar a estrada por 12 horas para mostrar que venci na vida. Adeus zarcão! Adeus vida de mecânico em concessionária! Adeus carro velho! (olha pro público) Adeus dessa classe de fodidos e mal pagos.

Cristina: Louvado seja Jesus.

João Pedro: Temos que dar um dinheiro pra mãe, né?

Cristina: É, mas se dermos para sua mãe, vamos ter que dar pra minha irmã Angela.

João Pedro: Eu não vou dar nada pra aquela zolhuda. Ela só avacalhou com a nossa vida.

Cristina: Ah, vai sim! Ela é minha irmã, João. É sangue do meu sangue.

João Pedro: É, mas na hora de pagar o dinheiro que ela emprestou pro zoneiro do marido gastar, ela não se lembrou disso.

Cristina: Creia em Deus pai, João, Até quando você vai jogar na minha cara? Atpe o fim da minha vida?
Cristina fica irritada e vira de costas para o público. João Pedro pensa e resolve pedir desculpas.

João Pedro: Tá bom, tá bom, meu cheiro. Vamos ajudar todo mundo. Eu faço questão de dar uns dez mil pra sua irmã. Está bom assim? E dou quinze mil pra mãe, que tá velhinha, a coitada.

Cristina: E pro Tio Ulisses? Nós juramos prestar uma ajuda quando as coisas melhorasse...

João Pedro: Que merda, é verdade, agora vamos ter que ajudar.

Cristina: Eu disse para não promoter nada. Deveria ter dito que ia ajudar com um pacote de arroz, mas só deveíz em quando, mas tu não deixa a oportunidade de prometer o mundo. Até parece que é aquela Santa Beata lá que ajudava os pobres.

João Pedro: Vamos dar cinco mil pro velho, é mais dinheiro que ele viu em toda vida. Olha, pra quem pescava em São Chico, e aqui, vende rede, cinco paus é muita grana.
João Pedro começa a sair da cena.

Cristina: Onde tu vai?

João Pedro: Vou lá no seu Guilherme dar uma bebemorada. (vai saindo da cena). 

CENA 02

Cristina começa caminhar pela cena, demonstrando alegria e ansiedade.

Cristina: Cadê o telefone? (Encontra o aparelho telefônico e disca o número). Oi Mana, tudo bem contigo? Aqui ta ótimo, uma maravilha. Não, não... ele continua bebendo. Mana... Amanha é um grande dia. Eu não vou falar agora, amanha eu ligo pra você, mas já adianto que no domingo, eu quero todo mundo aqui em casa. Tchau.

Cristina começa olhar pela janela lateral e procura por alguém.

Será que a Dona Dominga está acordada? (Olha para lateral da cena). O Dona Dominga...tudo bem? (Pausa para Dona Dominga responder) A senhora sabe se a sua filha ainda quer vender aquela casona com piscina e tudo? (Pausa para Dona Dominga responder) Eu quero comprar. (Pausa para Dona Dominga responder) Não farei financiamento, será a vista, no dinheiro. A senhora me passa o número de telefone dela? (Pausa para Dona Dominga responder) Espera que vou buscar papel e caneta. (vá até a mesa do telefone para buscar o papel). Pode falar... Obrigado.

Essa veia vai tratar de contar para todo mundo. Amanha estarão todos por aqui para saber o aconteceu conosco. Que bom!


CENA 03

João Pedro: (Entra no bar) Pode parar com todos os trabalhos. Parem com tudo isso que estão fazendo. (Aponta para o rádio e diz impaciente) Desliga, o rádio Guilherme. E sem pensar duas vezes, pede pra menina fritar mais coxinhas..

Seu Guilherme: O que é isso, João Pedro? Já ta possuído pelo cão da cachaça? Deixa a Cristina já chegou bêbado aqui..

João Pedro: Eu sou fiel a minha esposa, (aponta o dedo para o céu) tenho Deus como testemunha...

Seu Guilherme: Deixa o Cara lá de cima de fora disso.

João Pedro: E tenho o velho Zé Maneca, que fica 26 horas na frente do teu boteco. El vai confirmar que eu só bebo em casa ou aqui. Só nesses dois lugares. Os meus verdadeiros santuários.

Seu Guilherme: Deixa disso, o homem já não anda. Agora você vai 
julgar que ele fica observando o movimento?

João Pedro: Eu não vou fazer esse homem andá. Isso é obra pro Cara lá de cima que Cristina tanto reza. Mas vou providenciar uma cadeira de rodas muito massa, vai ter até porta copo de pinga.

Seu Guilherme: Tu vai dedicar à vida pros mais necessitados ou (fala arrastado) como aqueles patrões que descem lenha nos peões na empresa que é dono. Mas no dia das crianças, da páscoa, das crianças e na véspera de Natal chega até aqui para praticar o espírito da solidariedade? (O trecho está muito trucado. É preciso melhorar)

João Pedro: Como já cantaram “Amanha será um novo dia cheio de harmonia...”

Seu Guilherme: Aí, meu Deus, vai é virar político desses partidos nanicos que falam em salvar os pobres.

João Pedro: Nada disso, Seu Guilherme. Eu vou é virar classe média. Na verdade, eu já virei, só falta o dinheiro cair na conta.

Seu Guilherme: Tú sabe que hoje em dia, ser de classe média é dever na praça?

João Pedro: Caramba. Há quanto tempo à gente se conhece? Tu não podes ver um homem feliz que já começa a invejar, a tirar uma casca.

Seu Guilherme: Vai começar bate boca?

João Pedro: Nada disso. Desce uma rodada de gelada pra todo mundo. E tem mais, pra quem chegar nos próximos cinco minutos, também será por minha conta. Pode chamar os maconheirinhos da ponte.

Seu Guilherme: Deixa os meninos, é só uma gurizada que ta procurando algo pra fazer.

João Pedro: Uma ponte como área de lazer é pr `acaba. Eu vou fazer uma quadrinha de salão e um parquinho aqui, perto da ponte.

Seu Guilherme: Já começou a campanha eleitoral?

João Pedro: (Ignora a pergunta do Seu Guilherme) Se hoje foi o dia. Amanha será o grande dia. (levanta e saí da cena) No finalzinho do dia volto pra pagar tudo....me aguardem.

CENA 04

João Pedro está sozinho na cena. Anda nas pontas dos pés. Demonstra ansiedade. Cristina entra na cena.

Cristina: Já acordado?

João Pedro: Não preguei os olhos, quando pegava no sono, eu acordava com um susto.

Cristina: Isso é ansiedade.

João Pedro: Ansiedade! Deve ser ansiedade pra levar uma vida decente. Enquanto todo mundo trabalha, trabalha, faz financiamento, paga prestação e fica devendo cada vez mais.... Eu tive a sorte. Que fortuna me espera!

Cristina: Nos espera.

João Pedro: Eu vou pra fila da Caixa. Não vou esperar até as onze horas.

Cristina: Mas são setes e meia.

João Pedro: Eu vou é agora... (Ele parte sem se despedir)

Cristina: E o meu beijo....

CENA 05

Cristina está sozinha em cena. Limpa toda a casa. A intenção da limpeza é para representar a passagem do tempo. Pode utilizar movimentações para despertar o riso da plateia. Antes de representar que terminou a limpeza, encontra o aparelho telefônico e faz uma ligação.

Cristina: (ao telefone) Aí menina, eu comprei umas coisinhas na Magazine, já fiz um pedido especial para um churrasco comemorativo. Não, a Kombi ainda não trouxe. Comprei só coisa fina, nada de segunda. Afinal, é um momento especial. Tenha calma, eu vou contar o motivo da alegria, mas só na festa.
Pedro entra na casa em completo silêncio.

Cristina: (Olha para o céu) Deus do céu. Que alegria o Senhor me deu.

João Pedro: É bom começar a rezar pela multiplicação do pão.

Cristina: Eu já fiz o pedido pra comemorar a nossa subida para classe média.
(João Pedro continua em silêncio)

Cristina: Vamos diga, logo, o quanto deu em dinheiro? Cadê? (Procura pelos bolsos do João Pedro) Eu não estou vendo o volume nos seus bolsos, nem em suas mãos. Meus Deus, deve ser tanto que não teve como trazer. Vamos, diga logo. Quanto ganhou? Vai me dizer que não ganhou nada?

João Pedro: (sem demonstrar alegria) Sim. Eu ganhei.

Cristina: João Pedro pára com isso logo.... Você ta me deixando preocupada. O que foi que aconteceu na Caixa?

João Pedro: (demonstra preocupação.) Ganhamos!

Cristina: O sangue de Jesus tem poder!!!

João Pedro: Nós ganhamos. Ganhamos uma fortuna que foi dividida entre 364 ganhadores. Com a divisão de R$ 18,90 pra gente.

Cristina: Que droga.

(Entra o Seu Guilherme)

Seu Guilherme: Vai pagar a conta hoje ou não?

João Pedro: (olha para plateia) Adeus classe média.

FIM



[i] Livremente adaptado/inspirado no conto “Adeus Classe Média”, de Alberto Ferreira, publicado no livro “O cantador de memórias”. 

terça-feira, 23 de junho de 2015

A defasagem salarial segundo Maurício Tragtenberg

O professor Maurício Tragtenberg foi um crítico radical ao modelo dominante no mundo. Leu, interpretou, debateu e escreveu como poucos. Deixo um breve fragmento escrito em 1988, que infelizmente a atualidade é brutal.

 “Uma coisa que eu sempre perguntei: por que a defasagem brutal entre o professor de primeiro e de terceiro grau? É uma imoralidade social brutal o professor de terceiro grau ganhar 200 a 300% mais do que o professor de primeiro grau. Isso acaba com qualquer sistema escolar. É menor a responsabilidade social de uma professora que fica cinco horas com uma criança do que a do professor que fica comum barbudo de pós-graduação com aquela angústia da tese? Você, então, é qualificado de acordo com a classe social a que serve. E qual é a maior glória do professor? Deixar de ser professor. Isso é o fim! Uma carreira de professor cuja maior glória é deixar de ser professor! Depois dizem que administração é racional. Se uma organização estrutura a carreira cujo ápice está na condição de você abandonar a sala de aula, e quanto mais abandona maior é a prova de que você tem status...

É terrível! Quando o profissional ganha salário baixo, o que acontece? A profissão é feminilizada; mixaria é para mulher. E aí se confunde mãe com professora e o aluno chama a professora de tia. É uma loucura total, uma confusão de papéis sociais tremendo. E nem se se fala da professora que cuida das crianças de 0 a 6 anos. Eu, por exemplo, conheço muitas cidadãs que não são professoras, são pajens. E é tão “atraente” o salário que uma cidadão voltou a ser faxineira, porque ganha mais fazendo faxina em casas do que trabalhando com crianças de 0 a 6 anos. E depois vêm me falar da pré-escola! É uma brincadeira!

Você está numa sociedade capitalista em que tem que pagar tudo. Você não é professor mercenário e até para respirar você paga. Numa economia capitalista, o salário é o elemento central. E num país onde o salário é de escravo, é muito difícil você falar em pedagogia, falar de técnicas de educação, falar de função formativa do professor, do professor como detentor do saber. Não se iludam, não há tanto saber assim para deter. E isso até o terceiro grau.

(...)

Eu percebi uma coisa: que os níveis de remuneração tão diferentes entre os graus têm relação com a classe social, com a clientela a quem se serve. Quanto mais você serve a população mais carente, menos o teu salário tem peso e menos você tem status. Tem muita gente que se envergonha de dizer que é professor de primeiro grau porque ele foi inteiramente desvalorizado durante os últimos anos. E isso não foi somente no período da ditadura. Muito antes já era desvalorizado. E aí se estruturou a carreira cuja glória é deixar de ser professor."


O artigo completo está no livro Educação e burocracia, de Maurício Tragtenberg, Editora UNESP

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Memórias de uma falha.

Texto inspirado no post de Emanuelle Carvalho no blog Chuva Ácida. 

Entre 1997 a 2008 estive envolvido com organização de shows punk-hardcore, especialmente ligado à ética do faça você mesmo. Escrevia zines e mantinha uma pequena distribuidora local de material independentes com discos, cds, zines e livros políticos. Neste cenário tentava inserir o debate dos direitos humanos. Eu não estava sozinho, amigos e amigas pegavam juntos.


Entre algumas pessoas existia a ideia de criar uma cena com uma identidade comunitária, troca de informação, acolhimento, ativismo anti-capitalismo e música. A ideia não se concretizou.  Os shows eram temáticos, como dia mundial contra o Mc`Donalds, contra o racismo, machismo, homofobia ou contra a guerra do Iraque. Também aconteciam como um espaço de lazer e diversão. Afinal, uma parcela da juventude de classe média e trabalhadora não se encaixava pra colar na Mansão Getúlio, no Coração Melão ou na Metrô.


Na ocasião éramos atacados pelo Estado, que volta e meia fechava os locais shows por conta da falta de documentação ou por reclamações do volume do som. Os ataques também aconteciam de setores do “rock underground” que insistiam em dizer “o meu movimento é a música. foda-se a política” ou “ estes caras são bando de viados”. Estes críticos não percebiam que entre nós os preconceitos estavam presentes, assim como a prepotência e arrogância. O que nos diferenciava era que no rolê existia um ambiente arejado para debater, acusar e até mesmo julgar.



A galera cresceu, uns deixaram claro que o rolê era uma fase da juventude. Outros continuaram a ouvir a música e seguir a sua vida de adulto, também tem os que ficaram presos à imagem. Outros são uns bandos de nostálgicos de algo que não se concretizou. Não posso de esquecer os que adotaram o cinismo ou a adoração ao capital.




Volto dizer: não era um ambiente completamente arejado. No máximo era uma janela para mundo que impõe cercas. Em 2015, o que se tem é um enorme vazio para uma parcela da juventude e dos adultos que não se encaixam e não aceitam os preconceitos no “rock underground” . A falha foi não ter acumulado politicamente com intuito de realizar uma continuidade. 



quarta-feira, 8 de abril de 2015

Sobre a Onda Dura e o Teatro

Eu tenho de fazer uma autocrítica sobre comentário direcionado a Onda Dura e a AJOTE (Associação Joinvilense de Teatro). Eu escrevi uma mensagem curta e grossa sobre a apresentação da peça “Eu vou lutar”, da companhia de teatro da Igreja Onda Dura, no Galpão de Teatro da AJOTE. Eu pouco argumentei, o que motiva uma visão reducionista e de pouco diálogo.

Outra questão fundamental para apontar. Ao contrário de muitas postagens críticas a Onda Dura, os meus comentários não são ataques às pessoas que frequentam a denominação religiosa. Eu não questiono a busca espiritual de cada um, menos ainda vou zombar dos símbolos ou ações da Onda Dura. Por exemplo, o ato de carregar a cruz. Eu não faço coro com as “piadas” publicadas nas redes sociais, inclusive por pessoas identificadas com os temas dos direitos humanos. Afinal, a liberdade religiosa tem que ser garantida. Porém, respeitar a liberdade não significa fechar os olhos para os efeitos das práticas religiosas na sociedade.

Ontem (07/04), circulou a divulgação nas redes sociais da programação do Galpão de teatro da Ajote. O meu estranhamento foi encontrar a peça “Eu vou lutar”, da Onda Dura, na programação. Eu não sou associado da AJOTE, mas sou um frequentador e entusiasta do papel político e artístico que a AJOTE pode exercer na cidade. Por isso, apresento os meus questionamentos contrários ou favoráveis. Se a AJOTE vive a cidade, precisa dialogar e ouvir o que positivo e o que é negativo.

No meu ponto de vista é um erro abrir espaço para uma manifestação religiosa no espaço público do teatro. É contraditório. O teatro não tem espaço na cidade, a Onda Dura tem uma grande sede. O teatro não tem dinheiro para sua produção independente e autoral, a Onda Dura tem dinheiro. O teatro é um espaço de questionamento dos valores morais, éticos, políticos, sociais e religiosos, a Onda Dura não defende os direitos das mulheres e os temas dos direitos LGBT.

A Onda Dura não pode fazer teatro? É claro que pode. O problema é que o uso de diferentes linguagens artísticas pela Onda Dura interfere na cultura dos direitos humanos, como os direitos das mulheres e LGBT. A Onda Dura tem por hábito chegar de leve, de mansinho. Foi assim na arte de rua, na música e na dança. Hoje, é um problemão debater assuntos pertinentes aos direitos humanos nas linguagens artísticas citadas.  

É um debate político necessário e urgente, não é um ataque pessoal! A hora é agora, abrimos os nossos corações, ouvidos e bocas para pensar os rumos da cidade ou continuaremos votado em político X ou Y, respondendo as necessidades da ACIJ ou CDL e ao conservadorismo defendido pelas lideranças religiosas.


Amor e rebeldia!