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sábado, 18 de julho de 2015

Dane-se o STAMMTISCH!!!

Cada cidade tem a classe dominante que merece. Mentira. Cada cidade tem a classe dominante de acordo com sua formação social e histórica. 

Em Joinville, se construiu um imaginário que somos uma cidade “alemã”. Por conta disso, diferentes atividades são realizadas em defesa do imaginário e pela manutenção da tradição, é claro que a classe dominante não lembra que as tradições são invenções, como disse o velho historiador “Ruberval” (como era chamado carinhosamente no corredor do Bloco A, na UNIVILLE).

Os mais velhos costumam sentar numa mesa e beber com o seu grupo seleto de amigos. Os amigos em sua maioria são brancos, de origem alemã. O evento é conhecido por STAMMTISCH. Nos últimos anos, o STAMMTISCH tomou uma proporção entre o público jovem que “se veste bem e tem poder de compra”.

O motivo do post é o STAMMTISCH da Câmara dos Dirigentes Lojistas. O STAMMTISCH é um evento que as pessoas ditas de “origem” se encontram para beber, beber e beber em via pública. O novo “caráter” do STAMMTISCH foi abraçado pelos jovens empreendedores da ACIJ, inclusive da CDL. Ou seja, são os ricos querendo bancar "de alemão". Chega a ser bizarro.

A CDL publicou o regulamento do STAMMTISCH de 2015, que acontece no mês de outubro, na rua da diversão da “playboy”. 

A cláusula 30ª diz; “Por ser evento de cultura germânica, não será permitido samba, pagode, chorinho, rock, e outros estilos que descaracterizem essa etnia.

Qual é o motivo da indignação? Vou pontuar.

  1) Em 2013, esta mesma elite atacou a luta do movimento negro. Conseguiram cancelar o dia 20 de novembro como feriado da consciência negra. Leia aqui.

   2) É a mesma elite responsável pela exploração econômica nos postos de trabalho e será a beneficiada com o projeto da Lei de Ordenamento Territorial, a LOT.

  3) A política cultural da Fundação Cultural de Joinville tem se dedicado a essa elite.


Caso eu fosse fazer a linha de DJ no "anti-STAMMTISCH", já tenho uma seleção prévia para um sonoro foda-se a classe dominante. 

Le Fly para começar em ritmo de festa transglobal radical e futebol

The Buttocks com "nein nein nein". 

Rasta Knast cantando um punk rock brasileiro.

Nena com os seus 99 balões vermelhos

Atari Teenage Riot com sua fúria do rolê eletrônico. 

Entrails Massacre para fazer a digestão.

Nada melhor do que finalizar a seleção com uma demonstração pública da desordem e caos alemão. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Sobre a Onda Dura e o Teatro

Eu tenho de fazer uma autocrítica sobre comentário direcionado a Onda Dura e a AJOTE (Associação Joinvilense de Teatro). Eu escrevi uma mensagem curta e grossa sobre a apresentação da peça “Eu vou lutar”, da companhia de teatro da Igreja Onda Dura, no Galpão de Teatro da AJOTE. Eu pouco argumentei, o que motiva uma visão reducionista e de pouco diálogo.

Outra questão fundamental para apontar. Ao contrário de muitas postagens críticas a Onda Dura, os meus comentários não são ataques às pessoas que frequentam a denominação religiosa. Eu não questiono a busca espiritual de cada um, menos ainda vou zombar dos símbolos ou ações da Onda Dura. Por exemplo, o ato de carregar a cruz. Eu não faço coro com as “piadas” publicadas nas redes sociais, inclusive por pessoas identificadas com os temas dos direitos humanos. Afinal, a liberdade religiosa tem que ser garantida. Porém, respeitar a liberdade não significa fechar os olhos para os efeitos das práticas religiosas na sociedade.

Ontem (07/04), circulou a divulgação nas redes sociais da programação do Galpão de teatro da Ajote. O meu estranhamento foi encontrar a peça “Eu vou lutar”, da Onda Dura, na programação. Eu não sou associado da AJOTE, mas sou um frequentador e entusiasta do papel político e artístico que a AJOTE pode exercer na cidade. Por isso, apresento os meus questionamentos contrários ou favoráveis. Se a AJOTE vive a cidade, precisa dialogar e ouvir o que positivo e o que é negativo.

No meu ponto de vista é um erro abrir espaço para uma manifestação religiosa no espaço público do teatro. É contraditório. O teatro não tem espaço na cidade, a Onda Dura tem uma grande sede. O teatro não tem dinheiro para sua produção independente e autoral, a Onda Dura tem dinheiro. O teatro é um espaço de questionamento dos valores morais, éticos, políticos, sociais e religiosos, a Onda Dura não defende os direitos das mulheres e os temas dos direitos LGBT.

A Onda Dura não pode fazer teatro? É claro que pode. O problema é que o uso de diferentes linguagens artísticas pela Onda Dura interfere na cultura dos direitos humanos, como os direitos das mulheres e LGBT. A Onda Dura tem por hábito chegar de leve, de mansinho. Foi assim na arte de rua, na música e na dança. Hoje, é um problemão debater assuntos pertinentes aos direitos humanos nas linguagens artísticas citadas.  

É um debate político necessário e urgente, não é um ataque pessoal! A hora é agora, abrimos os nossos corações, ouvidos e bocas para pensar os rumos da cidade ou continuaremos votado em político X ou Y, respondendo as necessidades da ACIJ ou CDL e ao conservadorismo defendido pelas lideranças religiosas.


Amor e rebeldia!

sexta-feira, 13 de março de 2015

Uma carta sobre o dia 15/03

Na quarta-feira, o jornal “A notícia” publicou uma reportagem sobre a manifestação do dia 15 de março. Na ocasião, uma fotografia de um ato chamado pelo MPL foi utilizada. No meu ponto de vista foi um erro o uso da fotografia, assim como de outros/as leitores/as. Depois das críticas a fotografia foi retirada da publicação. 

Eu realizei contatos telefônicos com a editora Marina Andrade, da redação do AN, que abriu o espaço para publicação de um artigo, mas depois o convite foi para publicação em formato em carta. A carta foi publicada no jornal impresso de hoje, 13/03, e no site do jornal (leia aqui).

Não vou para a manifestação do dia 15 de março

No dia 11/3/2015, o site do “A Notícia” publicou reportagem sobre a manifestação do dia 15 de março, que é apoiada pela Acij, pelos partidos políticos derrotados na eleição de 2014 e por setores conservadores como defensores da volta dos militares ao poder. A reportagem trazia uma fotografia da manifestação do dia 26/6/2013, organizada pelo Movimento Passe Livre (MPL) e que contava com a chamada “Vamos mudar começando pela tarifa zero: construir um transporte público, gratuito e de qualidade”. Dois eventos distintos, tanto na pauta quanto nas suas origens.

Nas redes sociais, diferentes vozes questionaram o uso da fotografia. Afinal, golpe, intervenção ou luta contra a corrupção são temas distintos de um transporte coletivo realmente público e para todos e todas. Isso não significa que as vozes que cito são favoráveis a Dilma, Colombo, Tebaldi, Darci, Carlito ou Udo. Pelo contrário, são vozes de homens e mulheres que atuam cotidianamente para além das redes sociais. Dedicam as suas vidas para construir outro mundo, onde a liberdade e igualdade são o norte para realização de uma cidade baseada na justiça e nos direitos humanos.

A manifestação agendada para o domingo não pretende avançar rumo ao mundo que almejamos, pretende trocar o governo A pelo B. Também não compreende que a corrupção está no cerne da existência do Estado e do capitalismo. Afinal, como já escreveram vários anarquistas, o capitalismo e o Estado são irmãos que nasceram no mesmo contexto e com os mesmos objetivos.

Em Joinville, temos exemplos claros de que a manifestação do dia 15/3 não levanta bandeiras de luta como os 24 processos movimentados pelas empresas de transporte coletivo contra o MPL e o processo administrativo que o governador Colombo move contra militante sindical da educação; assim como a crescente criminalização da luta por justiça social e a retirada de direitos dos trabalhadores, inclusive pelo governo federal. Por isso, afirmo que nossa luta é organizada diariamente nos locais de trabalho, estudo, moradia e lazer com os/as de baixo e à esquerda.

Maikon Jean Duarte, professor de história e membro do Centro dos Direitos Humanos Maria da Graça Bráz