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domingo, 19 de julho de 2015

Dossiê Malatesta

Queremos mudar radicalmente tal estado de coisas. E visto que todos estes males derivam da busca do bem-estar perseguido por cada um por si e contra todos, queremos dar-lhe uma solução, substituindo o ódio pelo amor, a concorrência pela solidariedade, a busca exclusiva do bem-estar pela cooperação, a opressão pela liberdade, a mentira religiosa e pseudocientífica pela verdade.

Errico Malatesta (Fonte aqui.)


O dia 22 de julho de 1932 foi marcado pela morte do anarquista italiano Errico Malatesta. A trajetória de vida do Malatesta foi dedicada à luta revolucionária. Viajou e lutou na Europa, no norte da África e na América Latina. O presente dossiê é uma seleção de artigos para conhecer o trabalho militante do Malatesta. 

Atividade realizada em Joinville, ano passado. Informações clique aqui

No Brasil não foi publicado livro biográfico do Malatesta. Mas é possível ler artigos biográficos que apresentam um pouco da história de vida e das visões políticas e estratégicas do companheiro de luta. Eu destaco o artigo do professor Maurício Tragtenberg, que publicou na Folha de São Paulo, no dia 16 de janeiro de 1983, o artigo "A atualidade de Errico Malatesta". Para ler clique aqui

A Organização Resistência Libertária, do Ceará, integrante da Coordenação Anarquista Brasileira, elaborou um caderno de formação política com artigos do Malatesta. Os artigos correspondem a nossa concepção de anarquismo, teoria e sindicalismo. Clique aqui para acessar o material. 

O portal Protopia oferece um banco de textos de autoria do Malatesta, basta clicar aqui. A minha sugestão é começar a leitura pelo livro "Escritos Revolucionários", clique aqui. É a obra mais indicada para conhecer a concepção de Malatesta sobre anarquismo. 

“Porém, nós anarquistas não podemos emancipar o povo, queremos que o povo se emancipe. Não acreditamos no bem que vem do alto e se impõe pela força; queremos que o novo modo de vida social surja das vísceras do povo, que corresponda ao grau de desenvolvimento alcançado pelos homens e que possa progredir na medida em que eles progridem. A nós importa, portanto, que todos os interesses e todas as opiniões encontrem em uma organização consciente a possibilidade de fazer-se valer e de influir sobre a vida coletiva em proporção a sua importância.”

Errico Malatesta (Fonte aqui.)

O companheiro e pesquisador Felipe Corrêa tem um depoimento em vídeo sobre Malatesta. O vídeo aborda dados biográficos, ambiente político, teoria social, anarquismo, ideologia e estratégia. O material discute a contribuição de Malatesta para o anarquismo especifista, que é defendido pela Coordenação Anarquista Brasileira



"Não se trata, portanto, de chegar à anarquia hoje ou amanhã, ou em dez séculos, mas caminhar rumo a anarquia hoje, amanhã e sempre." 

Errico Malatesta (Fonte aqui.)

sexta-feira, 13 de março de 2015

Uma carta sobre o dia 15/03

Na quarta-feira, o jornal “A notícia” publicou uma reportagem sobre a manifestação do dia 15 de março. Na ocasião, uma fotografia de um ato chamado pelo MPL foi utilizada. No meu ponto de vista foi um erro o uso da fotografia, assim como de outros/as leitores/as. Depois das críticas a fotografia foi retirada da publicação. 

Eu realizei contatos telefônicos com a editora Marina Andrade, da redação do AN, que abriu o espaço para publicação de um artigo, mas depois o convite foi para publicação em formato em carta. A carta foi publicada no jornal impresso de hoje, 13/03, e no site do jornal (leia aqui).

Não vou para a manifestação do dia 15 de março

No dia 11/3/2015, o site do “A Notícia” publicou reportagem sobre a manifestação do dia 15 de março, que é apoiada pela Acij, pelos partidos políticos derrotados na eleição de 2014 e por setores conservadores como defensores da volta dos militares ao poder. A reportagem trazia uma fotografia da manifestação do dia 26/6/2013, organizada pelo Movimento Passe Livre (MPL) e que contava com a chamada “Vamos mudar começando pela tarifa zero: construir um transporte público, gratuito e de qualidade”. Dois eventos distintos, tanto na pauta quanto nas suas origens.

Nas redes sociais, diferentes vozes questionaram o uso da fotografia. Afinal, golpe, intervenção ou luta contra a corrupção são temas distintos de um transporte coletivo realmente público e para todos e todas. Isso não significa que as vozes que cito são favoráveis a Dilma, Colombo, Tebaldi, Darci, Carlito ou Udo. Pelo contrário, são vozes de homens e mulheres que atuam cotidianamente para além das redes sociais. Dedicam as suas vidas para construir outro mundo, onde a liberdade e igualdade são o norte para realização de uma cidade baseada na justiça e nos direitos humanos.

A manifestação agendada para o domingo não pretende avançar rumo ao mundo que almejamos, pretende trocar o governo A pelo B. Também não compreende que a corrupção está no cerne da existência do Estado e do capitalismo. Afinal, como já escreveram vários anarquistas, o capitalismo e o Estado são irmãos que nasceram no mesmo contexto e com os mesmos objetivos.

Em Joinville, temos exemplos claros de que a manifestação do dia 15/3 não levanta bandeiras de luta como os 24 processos movimentados pelas empresas de transporte coletivo contra o MPL e o processo administrativo que o governador Colombo move contra militante sindical da educação; assim como a crescente criminalização da luta por justiça social e a retirada de direitos dos trabalhadores, inclusive pelo governo federal. Por isso, afirmo que nossa luta é organizada diariamente nos locais de trabalho, estudo, moradia e lazer com os/as de baixo e à esquerda.

Maikon Jean Duarte, professor de história e membro do Centro dos Direitos Humanos Maria da Graça Bráz